Autorretrato - Capítulo Treze - A proximidade longínqua
Os olhos ardiam na mesma sintonia que o mundo esfolava as frágeis interfaces com as quais ela tocava o entorno da realidade; seu estômago revirava as mágoas que lhe custava digerir e deixar se tornarem um fluxo de passagem. Ela se apegava facilmente ao que a sensibilizava por ter passado muito tempo se negando a experiência de viver. E, negando-se, ela se escondeu de si mesma e viveu, vendo tudo passar e se mover do lugar estático que se encontrava. Onde estava a criança que a pouco sorria, com quem ela brincara?! Ela guardara para si, quando o medo das aprovações, sutilmente, disseminara-se no carinho que ela conhecia. A compreensão que buscava manter com olhares que não eram o seu, por muitas vezes, parecia ser, novamente, apenas as suas questões quando lhe rasgavam sem escutarem seus silenciosos gritos de mal estar. Seus olhos só sabiam se encher de lágrimas agora, sem deixá-las escorregarem na fortaleza que achou que cr...